Eu gosto do joão galamba. Não por causa da criatura em si, prepotente, deslocado e com tendência para dizer disparates, mas porque sei que me vai proporcionar momentos televisivos ou radiofónicos de grande satisfação.
Sucede isto porque, a seguir a cada intervenção sua, é justa e violentamente sovado pelo seu interlocutor, seja este o Governador do Banco de Portugal, o Ministro das Finanças, a Maria João Avillez ou um qualquer deputado a quem lhe apeteça descarregar as frustrações de um dia-a-dia enfadonho. João galamba é uma espécie de Rocky Balboa da política contemporânea portuguesa, mas sem as vitórias ou os fulgurantes momentos de glória: apenas o olhar vazio e a face ensanguentada após mais uma sova. Tal como Rocky, vai regressando para uma interminável sequência de combates que, ao contrário de Rocky, perde. Tal como Rocky, vai-se aguentando de pé depois de cargas indescritíveis de porrada.
E nós, aqui, a aplaudir e a torcer para que assim se mantenha. Enquanto houver galamba, há espectáculo.