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Como seria expectável

Os meteorologistas previram, com avanço, uma sequência de dias quentes e secos com possível ocorrência de trovoadas. O Estado, na pessoa do Governo, fez orelhas moucas, não avançando qualquer prevenção ou vigilância especial – e ocorreu Pedrógão Grande.

 

Os meteorologistas previram, com avanço, uma sequência de dias com provável chuva. O Estado, na pessoa da Câmara de Lisboa, fez orelhas moucas, não avançando qualquer prevenção – por exemplo, limpando os escoadores. Ocorrem inundações.

 

O Verão fez uma pausa – titulou a Renascença. A inércia estatal, essa, é imparável.

Os castelos de Lego

Isto torna-se cansativo, ter que estar sempre a repetir o óbvio. O problema é que as Esquerdas são como as crianças, nunca se fartam de brincar com uma caixa de fósforos da qual fantasiam um castelo (e pensam que o dinheiro acaba sempre por aparecer). Portanto, aqui vai – de novo:

 

Não, este governo não está a levar o país à bancarrota. O país já estava na bancarrota. Ou a troika instalou-se cá pelas praias e Sócrates pôs-se a jeito para fugir por o país ser o paraíso?

 

Este Governo não está a levar o país à bancarrota; este Governo está a tentar retirar o país da bancarrota. Se vai ou não conseguir, é outro assunto. Aliás, eu iria mesmo mais longe: se é ou não possível… pois os estragos podem já ter sido demasiados. Nas séries sobre médicos que parecem pulular em qualquer canal de televisão, este seria o momento em que o cirurgião se dirige com ar solene à família: “conseguimos estabilizá-lo mas perdeu imenso sangue, o cérebro não foi oxigenado durante muito tempo, os órgãos foram submetidos a um enorme esforço, corre o risco de infecções e, por enquanto, só consegue sobreviver ligado às máquinas. Só o tempo dirá se ele vai ou não acordar.“