O Canto do Cisne

As palavras tontas de “otolo” saraiva de carvalho chamaram para si mais atenções do que aquelas que o pobre senhor alguma vez poderia ambicionar ter nesta altura da sua vida. Esquecido pelos mais velhos, desconhecido dos mais novos, em desespero de causa, proferiu atoardas que, caso existisse em Portugal um verdadeiro Estado de Direito (o tal que o velho capitão tanto proclama), o levariam, segura e merecidamente, ao banco dos réus.

 

Foram variadas as declarações de repúdio por um claro incitamento à revolta por parte daqueles que devem, ou deviam, ser o primeiro garante da segurança nacional. Nem militares, nem políticos, nem a minha vizinha de 80 anos que tem um canário perderam a oportunidade de, directa ou indirectamente, chamar a otelo aquilo que ele é: parvo. E, já agora, lembrar-lhe que os bons velhos tempos já passaram: hoje em dia, o Campo Pequeno é uma praça de espectáculos, nada mais.

 

É o canto do cisne, o anúncio de que o protagonismo de uma das figuras mais sombrias da história do Portugal contemporâneo está a desvanecer-se. Finalmente, acrescento eu.

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