D. Januário Torgal Ferreira foi ontem à TVI24 cantar uma missa. Uma missa conhecida, daquelas a que nos habituaram outro tipo de intérpretes. D. Januário veio falar de “diabinhos negros” no Governo, ao mesmo tempo que reforçava o seu estatuto de bispo vermelho. Esta é uma daquelas situações em que, para o senhor bispo das Forças Armadas, a separação entre a política e a religião deve ficar fechada na gaveta.
Afirmou este bispo, entre outras pérolas da retórica da cassete, que os membros do anterior Governo, quando comparados com o actual Executivo, eram autênticos anjos. Ora, comparar José Sócrates a um anjo é um exercício deveras interessante. Como se sabe, no fulgor desenfreado das suas trafulhices, Sócrates operou autênticos milagres, tendo no final desaparecido, deixando para trás uma imagem difusa e espectral, envolta em névoa.
Já temos, na nossa ilustre praça, muitos hipócritas, canalhas, salafrários, vendilhões do templo, mentirosos e terroristas de pacotilha. Não precisamos de bispos que também o sejam.