Em entrevista ao Sol (edição de 08/06), o nosso ex-secretário de Estado preferido Paulo Campos garantiu:
É totalmente falso que eu tenha dado qualquer orientação ao INIR.
No I de hoje, pode-se ler que afinal
Regulador do sector rodoviário diz que recebeu orientações do gabinete do ex-secretário de Estado para praticar “significativas omissões de informação” ao TC.
Na verdade, lá para o final da notícia, é tudo mais bem explicado:
A carta do InIR ao Tribunal de Contas, que também surge publicada num anexo da auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do sector rodoviário divulgada em Maio pelo TC, salienta ainda alguns dos “factos relevantes omitidos por força das orientações da tutela”, citando mesmo emails do gabinete do então secretário de Estado das Obras Públicas para o InIR a solicitar “que previamente ao envio das respostas para o TC seja dado conhecimento prévio a este gabinete” ou “que logo que possível faça chegar o ‘draft’ de que falámos”, referindo-se neste caso ao contraditório a entregar pelo InIR. Um outro email do gabinete de Paulo Campos vai mais longe e avança com respostas alternativas: “A resposta deverá ser: ‘O InIR não dispõe de dados para responder a esta questão.’” Ou ordens: “Devem ser retiradas as referências à forma como a EP envia os contratos e ao prazo em que o InIR tem verificado os mesmos.”
Ah, mas isto não são, nas sages palavras de Paulo Campos, “orientações ou determinações”. Serão, quando muito, “comentários”, “troca de impressões entre técnicos”. Posso também sugerir “conselhos fraternos”?
Alguém quer apostar comigo que, daqui a uns tempos, quando a coisa estiver ainda mais clara, Paulo Campos vai recorrer ao argumento dos espertalhões “as ordens podem ter partido do meu gabinete, mas não fui EU que as enviei”?
Que molusco…