A nódoa que cai no pano assim-assim

O Observador, por norma um dos poucos locais de jornalismo ainda razoavelmente asseados, titula: “Ativista que pediu demissão de Passos Coelho vai mesmo pagar 1.440 euros de multa”. Logo a seguir, o mesmo jornal subtitula em repetição: “Ana Nicolau vai ter mesmo de pagar a multa de 1.440 euros por ter pedido a demissão de Passos Coelho”. Todo o texto que se segue é um tempo de antena da condenada, muito orgulhosa do que fez (e não tenho nada contra isso, cada um é como é).

 

Acontece que Rita Porto, a jornalista responsável pela “notícia”, devia ter feito alguma pesquisa prévia antes de asnear. Por outras palavras, fazer jornalismo. Se o tivesse feito, por exemplo lendo esta outra notícia linkada no seu texto, saberia que a activista foi condenada por “perturbação de funcionamento de órgão constitucional”, não por ter pedido a demissão de Passos Coelho. Ou seja, foi julgada pelo LOCAL onde fez o seu protesto – não pelo teor do seu protesto. Como disse o juiz que leu a sentença original, “o que a sociedade não pode permitir é que essa atuação se faça dentro da Assembleia da República”.

 

Mas isto seria pedir demasiado ao jornalismo que temos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *