Cinco? Cinco!

O antigo jornal de referência Público anda agora muito encanitado com a contratação de Sérgio Monteiro pelo Fundo de Resolução do Novo Banco. O Correio da Manhã, que é actualmente o único jornal que faz realmente jornalismo, também não se coibiu de fazer um pequeno exercício de chico-espertice quando chamou para a primeira página de ontem:

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Ora o que o Correio da Manhã escreve é factualmente correcto, tal como o descreve no corpo da notícia: Sérgio Monteiro vai, de facto, ganhar 20.000 euros quando ganhava 3.600 euros como secretário de Estado. Acontece que a notícia também diz que estes 20.000 euros eram o salário do mesmo Sérgio Monteiro antes de ir para o governo. O Correio da Manhã, portanto, poderia titular na primeira página com igual correcção:

“Ex-secretário de Estado ganha o mesmo que ganhava antes de entrada no Executivo.”

De igual forma, não me recordo de ter visto o Correio da Manhã, o Público, o DN, o Expresso ou qualquer outro escreverem há quatro anos:

“Secretário de Estado ganha 5 vezes menos com entrada no Executivo”.

O que o Correio da Manhã faz, e não vi o Público fazer, é noticiar que “outro assessor contratado por valores milionários é o escritório de Vasco Vieira de Almeida, que intervém no processo como consultor jurídico”. Como nos recordamos todos, este escritório já esteve envolvido no negócio Freeport, no negócio Submarinos e sabe-se lá em quantos mais: o nome Vasco Vieira de Almeida é tão omnipresente nos grandes negócios de regime como o de Proença de Carvalho ou José Miguel Júdice.

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