O dinâmico António José Seguro tenta, como qualquer outro invertebrado o tentaria fazer no seu lugar, cavalgar esta onda de protestos dos professores. Ontem, afirmou:
Ninguém compreende que ao fim de três ou quatro anos de se estar a lecionar tenha de se fazer uma prova e que duas horas de exame determinem se uma pessoa continua ou não a lecionar numa escola.
Concordo com a primeira parte do seu argumento. Realmente, não compreendo como se demoram três ou quatro anos para prestar provas de aptidão para o ensino – isso devia ser feito ANTES de se começar a dar aulas. Quanto ao exame, Seguro está a ver a coisa ao contrário: as duas horas de exame, na minha opinião, não servem para determinar se uma pessoa continua ou não a leccionar numa escola – servem para determinar se essa pessoa ALGUMA VEZ devia ter leccionado.
O líder do PS defende que não faz sentido um exame para professores que já estão a lecionar (…)
Certo. Para Seguro, se alguém está a realizar um determinado trabalho (bem ou mal, parece não lhe interessar), não tem que prestar provas de capacidade para o fazer. Pelo mesmo argumento, poderia dizer que Artur Baptista da Silva não tem que provar ser economista – pois já fez de conta que o é.
Numa coisa concordo com Seguro: esta prova é injusta. Para mim, a prova, tal como avançou, representou um recuo lamentável de Nuno Crato. Seguro diz “compreender que para se aceder a uma profissão se possa exigir um conjunto de condições para saber se a pessoa o pode fazer para além das habilitações que obteve” (e, portanto, parece estar de acordo com a realização de uma prova deste género), mas não compreende porque se exige aos docentes com cinco ou menos anos de profissão. “Porque é que se aplica aos de cinco anos e não aos de seis ou sete ou aos de quatro»?”, perguntou o líder socialista, que classifica esta prova de injusta. Eu também a acho injusta, mas não a limitaria aos seis ou sete anos. Todos os professores a deviam realizar – a começar por aqueles que são avaliados com um Bom sem darem uma aula há décadas.
Mas claro, com Seguro e o PS sempre dispostos à demagogia e ao desleixo, se a prova é injusta por apenas alguns a fazerem – ninguém a faz.