Os professores só querem o bem das nossas criancinhas. Os professores que, de olhos salientes e espuma aos cantos da boca, berram nas manifs contra toda e qualquer ideia vinda do ministério, só querem que os deixem cumprir a sua vocação – serem professores – e ensinar as criancinhas. Os professores que, nas manifestações, agitam bandeiras da Fenprof mas nunca – nunca! – a fotografia de um aluno, fazem o que fazem e reivindicam o que reivindicam apenas com o supremo interesse dos alunos em perspectiva.
Quando é pedido ao professor que esteja mais horas na escola – no fundo, que esteja tanto tempo no seu posto de trabalho como outra pessoa qualquer -, o professor desatina, pois é no aconchego do lar que melhor presta o seu serviço aos alunos.
Quando é pedido ao professor que faça um exame de aptidão, barafusta – pois é a manutenção de professores medíocres que melhor defende o ensino de qualidade.
Quando é pedido que se examine, no final do ano lectivo, a progressão dos alunos, o professor esperneia – pois será certamente mais eficaz que as criancinhas saltitem de ano em ano num ambiente de dolce far niente.
Os professores querem que os deixem ser professores – não estando na escola, não prestando contas da sua capacidade para o serem, não examinando os alunos.
Os professores não colocados querem que os deixem ser professores – colocados numa escola sem ter uma única turma.
Pois os professores, aqueles que não pensam em mais nada senão em como prestar um ensino de maior qualidade – vão, às centenas, ausentar-se das escolas para participarem na campanha eleitoral.
Deixá-los ser professores? Cada vez mais me parece necessário obrigá-los a serem professores.