Ouve-se agora, enquanto se aguarda nas estações do Metro de Lisboa, o anúncio à obtenção online das facturas da compra de passes e bilhetes. Diz a senhora que ir ao site é “fácil, rápido, seguro e evita tempo de espera nas filas”.
Não.
Fácil? Seria muito mais fácil se, em vez de delegar no cliente a necessidade de ir a um site de internet colocar nem sei que dados, pedir o documento em questão e imprimi-lo a suas expensas – o Metro de Lisboa entregasse a factura no acto da compra como a lei obriga. Rápido? Muito mais rápido seria se o Metro o entregasse no momento da transacção em vez de fazer o cliente gastar do seu próprio tempo. E evitar perda de tempo nas filas? Ora, se o papelinho nos fosse entregue logo no acto da compra, tal como é exigido às outras empresas, não perderíamos tempo algum além do que já gastáramos a comprar o passe ou bilhete.
Ao contrário do que o Metropolitano de Lisboa nos pretende fazer crer, nada neste processo é um favor ao cliente (que também é contribuinte). O Metropolitano de Lisboa, empresa do Estado, não faz (impunemente) aquilo que o Estado exige (sob pena de punição) a qualquer tascazita de esquina: entregar factura no acto da transacção. O Metropolitano de Lisboa, em pleno ano de 2017, não tem forma de imprimir o papelinho de caca nas suas bilheteiras e máquinas porque não as modernizou. O sr. Metropolitano de Lisboa até chegou a abanar a “falta de fundos” como argumento para não o ter feito atempadamente. A isto eu respondo: tretas. A administração do Metro, em nome do governo que a nomeou, definiu prioridades: acalmar sindicatos e comprar votos “devolvendo direitos e garantias” aos funcionários do Metro – em detrimento de tudo o resto.
Perante um orçamento que não é elástico e um descoberto amor pela apresentação de um défice abaixo dos 3%, só existiam dois caminhos possívels: ou havia dinheiro para aumentar ordenados e regalias e (re)admitir funcionários; ou havia dinheiro para as manutenções básicas, cartolina para bilhetes e modernizações necessárias. Optaram pelo caminho mais cínico e cobarde e o resultado está à vista dos que usam o Metropolitano: funcionários satisfeitinhos e caladinhos, sindicatos anestesiados – e um serviço prestado a níveis muito mais erráticos e degradantes do que em qualquer momento dos tais “anos negros da austeridade”.
Sabe, já começo a ficar farto deste argumento contra o Metro. Pode haver muita coisa mal naquela empresa (e há), mas por acaso isto não é ilegal.
A lei apresenta um regime de exceção para as empresas de transporte, em que o cliente tem de facto de pedir uma fatura e esperar por ela. Apesar de tudo, é mais simples o procedimento do Metro do que o da empresa de transportes que me serve, onde tenho de ir comprar o passe e tenho de voltar três dias depois (adivinhe: nova fila!) para ir buscar a fatura.
A lei está errada? Talvez. As empresas não teriam grandes dificuldades em alterar o software. No entanto, esta não é uma questão exclusiva do Metro nem sequer é um crime. É simplesmente pouco prático (ainda assim, mais prático do que a solução da empresa que utilizo).
Bom dia eu não percebo porquê tanta dificuldade em passar faturas. A CP passa a fatura no ato da compra.
Acha você que os trabalhadores a quem lhes foi roubado ordenado e outras regalias para andar a pagar BANCOS ROUBADOS e outros actos CORRUPTOS, devem continuar a ser roubados? Mas que raio de caráter é o seu, que se usa o METRO e é também um trabalhador, não tenha um mínimo de solidariedade para com estes trabalhadores, que precisam de tranquilidade no seu dia a dia porque têm em mãos uma enorme responsabilidade que é transportar em segurança milhares de pessoas diariamente. Eu não queria o trabalho deles… Tenha inveja de quem recebe milhões, não porque trabalha mas porque os rouba e deixa a “fatura” para os outros pagarem.
Não consegui pousar o meu mojito tempo suficiente para escrever mais do que isto.