Augusto Santos Silva, o tal da fina ironia, foi ouvido. Augusto Santos Silva (nunca um nome próprio foi tão negado pela realidade) considera-se membro da elite intelectual portuguesa.

Mas disse mais. Limpemos as lágrimas, retomemos a compostura e leiamos o resto da notícia.
Considera que as declarações recentes de Fernando Ulrich e Belmiro de Azevedo são “insultos às pessoas”. Este homem, que gosta de malhar na Direita, tem o direito de opinar assim – mas não o vejo mostrar alternativas minimamente credíveis àquilo que critica.
O mais interessante, no entanto, é esta pequena frase: “Eu, por exemplo, aprovei um corte de salários na função pública em 2010”. Porquê interessante? É que eu recordo-me disso – tal como me recordo de, no ano anterior, ano de eleições, ter sido aprovado um irresponsável aumento de salários na função pública (uma mera coincidência, nas palavras do então ministro Teixeira dos Santos). O que não recordo é ver idiotas como Galamba, Isabel Moreira e companhia, a clamar pela inconstitucionalidade desse corte salarial, nem a pedir fiscalizações preventivas ou sucessivas. Aparentemente, quando é a (auto-denominada) Esquerda a contrariar a Constituição, esta deixa de ser tábua de mandamentos e passa a ser um conjunto de preceitos genéricos.