Num sermão quase inteiramente dedicado a babar o seu despeito por Margaret Thatcher, o ancião Soares, falho de ética, invoca os bons exemplos que vêm (como está tão incutido no anedotário mundial) da América Latina para afirmar a sua tese:
(…) quando não há dinheiro, não se paga (…)
A minha primeira reacção foi de revolta. Mas, quanto mais penso, mais se me entranha a soárica ideia. O decano Soares não está completamente fora de razão. Proponho até que se comece por aplicar a sua teoria em si próprio:
não há dinheiro, não se paga – a sua Fundação manhosa;
não há dinheiro, não se paga – as sua multas;
não há dinheiro, não se paga – a sua subvenção;
não há dinheiro, não se paga – o seu uso de automóvel de Estado, o condutor e o combustível;
não há dinheiro, não se paga – o seu gabinete, o seu secretariado e as ajudas de custo;
não há dinheiro, não se paga – a sua comitiva de segurança;
etc.
