Devo dizer que sempre me fascinou como, com sete notas musicais ou doze semi-tons, temos conseguido criar séculos de música inédita. Por isso, quando ouço duas músicas com algumas semelhanças entre si, não vou de imediato apontar dedos acusadores a ninguém.
Vem isto a propósito de um dia recente em que, numa travessia do Tejo, não consegui evitar ouvir um tema de João Pedro Pais arremessado pelos altifalantes do barco. Em particular, pelo seguinte excerto:
que me evocou logo isto:
Agora, deixem-me ser absolutamente claro e sincero: não estou a acusar João Pedro Pais de plágio ou, sequer, de se ter inspirado nos Tindersticks. E não o faço por duas razões. Primeiro, pelo que afirmei no primeiro parágrafo deste texto. Segundo, e mais importante: porque assumir que Pedro Pais conhece a obra dos Tindersticks seria atribuir-lhe um bom gosto que, claramente, não tem.