Cara e coroa

Na sua edição de Novembro, a Ler, dirigida pelo ex-Secretário de Estado da Cultura deste perigoso governo neo-liberal, publicou uma entrevista de oito páginas a Maria Teresa Horta – e com honras de capa.

 

Deixem-me refrasear: neste país governado pela Direita Radical, uma revista privada e independente, dirigida por um ex-governante, deu oito páginas de exposição (e fotografia de capa) a uma escritora politicamente nos antípodas do Poder vigente, e que exibiu o despeito por este de forma bem pública e publicitada.

 

Agora, façamos um exercício…

 

Fosse este país sob um regime tão do agrado de Maria Teresa Horta, não existiria uma revista privada, muito menos independente, para promover o trabalho de qualquer um; um opositor ao Poder não teria a liberdade de fazer o número que Maria Teresa Horta fez; e as oito páginas que Maria Teresa Horta teria sobre si seriam as da transcrição do seu (sumaríssimo) julgamento, após o qual iria em viagem para um campo de reeducação.

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